Escritor

Haverá quem se recorde da volúpia inusual que tingiu a poesia de Z.A. Feitosa, e do erotismo palpitante, algumas vezes obsceno, que permeou a sua prosa? O fato é que Z.A. Feitosa era praticamente um desconhecido em 2006, quando redescobriu o fazer literário, em que pese a relativa notoriedade que seus textos alcançaram no início dos anos 80. A obra de Z.A. Feitosa está fortemente marcada pela combinação rara de lirismo e sexo. É verdade, porém, que essa mistura de elementos, embora diversos, apenas amplia a dimensão artística de sua prosa e sua poesia. O melhor de Z.A. Feitosa é, sem dúvida, o seu lado imaginoso e irreverente, além do regionalismo cativante e das metáforas incomuns, que temperam sua obra. O formidável é que Z.A. Feitosa está na Internet, rendido incondicionalmente ao poder da rede, depois de romper, em 2007, um injusto silêncio literário de 22 anos.

Writer

Does anyone remember the unusual pleasure that dyed Z.A. Feitosa's poetry and the eroticism throbbing, sometimes obscene, that permeated his prose? The fact is that Z.A. Feitosa was a virtual unknown in 2006 when rediscovered the literary creation, despite the relative notoriety that its texts reached in the early '80s. The work of Z.A. Feitosa is strongly marked by the rare combination of lyricism and sex. It is truth, however, that this mixture of elements, although several, just widen the artistic dimension of his prose and his poetry. What's better in Z.A. Feitosa is, without doubt, his imaginative and irreverent side, regionalism and a captivating and unusual metaphors, which temper his work. The formidable is that Z.A. Feitosa is on the Internet, surrendered unconditionally to the power of the net after breaking in 2007, an unfair silence of 22 years.

Bio

Z.A. Feitosa é o pseudônimo literário de Zeilton Alves Feitosa, nascido em 14 de Dezembro de 1952, na povoação de Marizópolis, então comarca de Sousa, no Estado da Paraíba, onde experimentou desde criança as dificuldades de sobrevivência dos habitantes do sertão nordestino.

Tem por pai Etelvino Alves Feitosa e por mãe Rufina Gonçalves Feitosa. Cresceu numa grande família formada por uma meia-irmã: Simone; por quatro irmãs: Zuleica, Zuleide, Zulene e Zenaide; e dois irmãos: Zenilton e Zemilton, além de agregados, comum naquela época. Eram seus pais pessoas de poucas posses, que mal conheciam o alfabeto, mesmo assim se preocupavam em oferecer, além de comida, educação e instrução formal para os filhos.

Estudante, ainda, do Colégio Agrícola do Crato (CE), veio para São Paulo em 1972, deixando-se fascinar pela grande cidade, onde passou a estudar e viver. Em 1975, casou-se com Harue Ishihara com quem tem um filho, Hiroaki Feitosa, um grande amigo e incentivador. Em 1977 - ano de nascimento do seu filho - converteu-se ao umbandismo e, juntamente com José A. Navas – seu colega na universidade, fundou, sob a orientação do Balalorixá Jamil Rachid, um templo de umbanda, o qual, em 2007, assumiu a denominação de Casa do Pai Joaquim de Aruanda (CPJA).

Antes de concluir sua especialização em Jornalismo Brasileiro e Comparado, em 1982, na Faculdade Cásper Libero, ele cursou contabilidade na Escola Técnica Dom Pedro II, assim como se fez bacharel em Administração de Empresa pela UNIFMU. Depois de algum tempo afastado dos bancos escolares, voltou a estudar e, em 1986, foi licenciado em Disciplinas Técnicas pelas Faculdades Campos Salles. Três anos depois, agregou à sua formação o título de bacharel em Ciências Contábeis pela FACESP. E, mais recentemente, concluiu o curso de pós-graduação de Gerente de Cidade na FAAP.

Contista e poeta, desde cedo, sentiu-se fascinado pelo fazer literário. Sob pseudônimo, escreveu contos para revistas com apelo erótico. Isso, no auge da abertura política, no início dos anos 80, no contexto de liberdade de imprensa que fora recém-restaurada.

Z.A. Feitosa é um dos muitos escritores que emprestaram finura e ousadia aos contos eróticos, que foram publicados em revistas de grande circulação naquele período. Foram textos escritos sem maiores pretensões, em verdade ao largo de interesses editoriais, preocupados apenas com a distração dos sentidos, mas que surpreendiam o leitor pelo poder de imaginação. Tanto que o melhor de Z.A. Feitosa é, sem dúvida, o seu lado imaginoso.

Sua obra ficou marcada pela combinação rara de lirismo e sexo, que pontificou de forma indelével os seus escritos. Ele soube, como alguns poucos, tratar com largueza os mais diversos temas relacionados ao sexo.

Não é sem motivo, que o seu nome enquanto escritor, cuja produção literária esteve, por muito tempo, voltada para essa classe de revista, ficou naqueles dias, intimamente, ligado ao subgênero literário chamado de literatura erótica.

Z.A. Feitosa conseguiu, graças ao extraordinário dom de captar sentimentos, criar alguns textos de grande sensibilidade, os quais, temperados pelo regionalismo e pelas metáforas incomuns, transcenderam das limitações e interinidades das revistas.

Dono de um estilo ímpar, Z.A. Feitosa ora recorreu à secura dos ensaios ora à brandura do romantismo para contar, eroticamente, suas histórias ou tecer, de forma lasciva, sua poesia, mas sempre fez da efusão do desejo sexual o mais autêntico meio de expressão dos sentimentos mais íntimos.

É fato que grande parte da produção literária de Z.A. Feitosa só faz sentido dentro do contexto das revistas com apelo erótico, mas isso não diminui o caráter irreverente e gracioso de sua obra, que chegou a merecer alguns louvores naqueles tempos.

A despeito do relativo êxito que seus escritos alcançavam, cioso de sua intimidade, Z.A. Feitosa se apartou involuntariamente das letras em junho de 1984, voltando-se, exclusivamente, para o universo dessensibilizante dos números.

Ao se preparar para a aposentadoria, porém, resolveu abraçar de uma vez por todas a literatura. Ao publicar um novo livro de contos, em 2007, e retomar, por meio de um portal na Internet, aquela obra, que foi prematuramente interrompida, Z.A. Feitosa rompeu artisticamente o injusto silêncio literário, que lhe foi imposto, inaugurando uma nova fase em sua vida de escritor.

No início de 2008, trocou, definitivamente, a escrituração mercantil - balanços e históricos de lançamentos contábeis - pela feitura dos versos e narrativas da escritura literária, celebrando sua aposentadoria, enquanto contabilista, com a publicação de um livro de poemas, ao fim de 35 anos de serviços na área contábil.

livros publicados

Além participar de coletâneas de poesias e escrever dezenas de contos para revistas masculinas, Z.A. Feitosa publicou uma pequena novela (Mulher Macho: Sim, Senhor!), um livro de poemas (Asas Queimadas: Suíte), uma coletânea de contos eróticos (Algolagnia: Histórias reais e imaginárias), um livro de lembranças (O Íntimo Ofício: Memórias), um livro de poemas (Borboleta em Cinza - Salmos profanos), e recentemente, as memórias romanceadas de Etelvino A. Feitosa (Da Canga ao Cangaço: Dias de Serra e Sertão). Aposentado como contabilista, encontra-se voltado, exclusivamente, para o fazer literário.

Mulher Macho sim, senhor!
Cortez Editora, 1980

Asas Queimadas
Ed. Autor, 1981

Algolagnia: Histórias Reais e Imaginárias
Econ Editorial, 1984

O Íntimo Ofício Memórias
Ed. Scortecci, 2007

Borboleta em Cinza Salmos profanos
Ed. Scortecci, 2008

Da Canga ao Cangaço Dias de Serra e Sertão
Ed. TAL, 2012

TAPURU
(In Mulher Macho sim, senhor!)

Finalizaba el año de 1960 y las fiestas de Navidad se aproximaban. Ya estaba armada en la calle de la iglesia el tablado al aire libre que serviría de anfiteatro para las celebraciones mundanas de la Navidad.

Como todo año estaban programadas las representaciones de las pastorelas que eran pequeños dramas, compuestos de varias escenas, durante los cuales se sucedían cantos, danzas, partes declamadas y alabanzas delante de un pesebre, para festejar el nacimiento de Jesús.

Las dramatizaciones de esta función popular, en que un personaje masculino, el viejo, hace chistes con los espectadores y vende prendas en subasta, todo entremezclado con las presentaciones de una docena de personajes, las pastoras, los pastores, las mariposas, etc., hechas por dos equipos contrincantes denominadas azul y encarnado.

Durante mucho tiempo participé haciendo el papel de mariposa de el equipo azul, pero ahora sólo participaba como asistente porque me sentía un poco grandecita para ponerme alitas de mariposa y bailar, aunque fuese para alabar al Niño Dios. Bita se vestiría de pastor en aquel año y estábamos lejos de prever que aquella sería la última vez que tomaríamos parte de una pastorela.

Bita andaba ocupado con los ensayos de la pastorela y con la colocación del árbol de navidad que decidiera copiar de la revista "O cruzeiro". En aquel día pasó la mañana metido en el mato próximo de la villa en busca de una rama de árbol que tuviese la forma de un piñero para hacer su árbol de navidad. Regresó cerca de la hora del almuerzo con una rama de un pereiro[1], que había escogido para adornar con tiras de papel verde transparente, guarnecidas con flecos y copos de algodón, imitando la nieve.

En aquella época andábamos excitados, pensando en la noche de navidad. Pues era una de las pocas noches del año que podíamos salir solitos, gastar nuestros ahorros en tonterías, demorar un poco más en la calle, después de las ocho de la noche y practicar pequeñas travesuras en medio de la multitud.

Luego que acababa la pastorela en el patio, la multitud, precedida por los niños, se refugiaba en el mercado para comer y beber las golosinas típicas de la fecha. La ocasión era propicia para travesuras propias de esa edad. comestibles hechos de catulé[2] en el puesto de la feria de don Liberato, en cuanto él dormitaba arrullado por la luz ondulante de una lamparilla. Rapiñar los rosarios era, entre los inocentes delitos que los niños cometíamos, el que más me dejaba excitada y con las manos húmedas de sudor.

Después que adornamos la rama de pereiro, fuimos para la cubierta que mi padre improvisara con hojas de palma para abrigar la lavandería. Conversábamos animadamente cuando un colega de escuela de Bita llamado Pedro, a quien la cocinera de origen española del hotel que mi madre arredara, apodó de Perico por causa de sus pies de papagayo, suponíamos en principio, pero era en verdad la forma hipocorística de Pedro en español, nos trajo la noticia de que Antonio, al que yo apodara de Tapuru[3] porque era pálido y de labios oscuros, estaba de cama:

- Aide, Tapuru arrió! (Tartamudeó Perico, engullendo la letra l de mi nombre.

- Qué historia es ésta, Perico? Déjate de mal augurio.

- Es verdad. Está blanquito, como un copo de algodón. Ya parece ángel...(Sollozó Perico que no consiguió terminar la frase.)

- Madre, vamos a ir a la casa de doña Elvira. (Grité para mi madre asomada en la ventana, poniéndome enseguida en camino de la calle de las quemadas, donde moraba Tapuru y sus ocho hermanos en una pequeña choza de piso batido.)

El sol ya estaba casi ocultándose cuando llegamos a la casa en ruinas donde ellos moraban. Era desolador el aspecto de Tapuru. De cara sucia, como acostumbraba parecer, era de una palidez tal que evidenciaba la mugre como si fuese una máscara de lama.

Su madre no había regresado aún del remanso del río donde pasaba el día lavando ropa ajena para sostener a los hijos, después que su marido la abandonó por otra mujer con quien huyó para Cabedelo. Su hermano más grande estaba haciendo un atole de araruta[4], que le sería servido como cena, en una olla toda golpeada y oscura por el humo.

Nos quedamos desolados delante del estado de Tapuru y cuando estábamos ya acomodados para dormir, comenté con Bita que él no nos reconoció y me pareció con los ojos de pescado, demasiado opacos y no esbozaba cualquier reacción en cuanto su hermano le daba de beber el atole, que escurría de la boca, encharcando la toalla de cocina. Bita no acrecentó nada a mi comentario. Y al día siguiente no me sorprendí cuando aún estando en la mesa desayunando, masticando sin mucho ánimo un pedazo de tapioca, escuchamos el llamado de Perico.

- Que hubo, Perico? (Pregunté para él, sospechando cuál sería su respuesta.)

- Tapuru murió anoche.

Pedimos el permiso de mi madre y fuimos a la casa de doña Elvira. Tapuru estaba acostado sobre la mesa de pino que quedaba en el centro del cuarto, cubierto con un velo percudido por el uso, ya con una mortaja de ángel. Su rostro parecía claro, iluminado por una vela encendida sobre un platito con los bordes dañados. Era como si él se hubiese bañado por la primera vez.

Según nos dijo su hermano, su muerte había sido causada por vermes como la mayoría de las ocurrencias de ese tipo. Salían lombrices de su cuerpo, observé, tan amarillas cuanto su piel anémica. Doña Elvira, muda y con semblante impasible, sin demostrar cualquier sentimiento, suspendía las lombrices que dejaban el cuerpo de Tapuru, con un palito y la arrojaba en una lata oxidada de queroseno forrada de tierra.

Su entierro fue modesto y seguido por media docena de niños que llevaron el ataúd hasta el cementerio que quedaba en lo alto de la colina atrás de la iglesia, donde fue sepultado en un ala destinada a los indigentes fosa rasa y sin ataúd que debería retornar para la asociación de las hijas de María, de donde veríamos salir muchas veces para llevar al cementerio los cuerpos de otros niños.

Por mucho tiempo las imágenes permanecieron en nuestras mentes y en aquella Navidad no teníamos Tapuru en el grupo para distraer con su tartamudez a don Liberato y poder saquear su puesto de mangalhos[5] y doña Quiteria, la corpulenta esposa de don Liberato, debe haber extrañado que preguntásemos el precio de los rosarios de catulé y pagamos por ellos antes de llevarlos.

[1] Árbol de pequeño porte y que a veces es simple arbusto común en el noreste brasileño.
[2] Fruto de la palmera, géneros Cocos, levemente azucarados.
[3] Palabra de la lengua Tupi hablada por los aborígenes del noreste brasileño que significa: el bicho de la fruta.
[4] Fécula alimenticia extraída de la raiz de ciertas plantas de América ecuatorial.
[5] Productos de la industria doméstica vendidos en la ferias y mercados de los poblados.

* A tradução para castelhano se deve ao professor e brasilianista Rubén Valenzuela, de Veracruz, Mexico.

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Tango - I
(In Asas Queimadas, Ed. Autor, 1981)

Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza,
adecuado artefacto que pone a respirar
ruidosamente el quemante instrumento...

Um...u..um...u...ummmm..um!
Se interrumpe la vibración ruidosa
por la emisión sonora de la voz que sale del pecho
resonante y tibia...

Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza,
adecuado artefacto, haciendo con que no se
interrumpan las vibraciones en sonidos
resonante ytépidos...
Uñungue!
Se quiebra el hilo de sonido que se entrenzó en luz
en la fascinación circunspecta e intrusa!
Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza,
adecuado artefacto que pone a respirar
ruidosamente el quemante instrumento...
Um...u..uim..u..ummmmm...um!
Se reextiende la emoción en el rasgueo del disco...
Uñungue...trungue!
Se interrumpe la vibración ruidosa
por la emisión sonora de la voz que sale del pecho
más resonante y más tibia...

Se escuha del corazón la exculposa queja
para atenuar la falta que no derivó
de la voluntad propia,
pero de un descuido resultante
de la inercia hablante que una escucha...
Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza
adecuado artefacto que prolonga sin quebrar
insustentablemente lo que delicia y extasia,
los temblores de la voz
resonante y ardorosa
Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza
adecuado artefacto que hace durar sin cesar
la imaginación que lacera el corazón con sus llamas,
parindo un estridente cariño de un gauchismo
contagiante, con todos los pesos del bien querer
que los corazones entretenidos se piden...

Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza
adecuado artefacto que inquieta, desasosega
como última pieza de este tercer instante...
El corazón se transforma en un fuarda voz
para conservar segura y presa, con todo el poder,
esta espresión de sonido que toca el alma;
el corazón se transforma en un guarda voz
para retener para otros instantes sin revelar el fuego
de este momento que se nutrió de energía
transpositiva, un estado de entrelazamiento
como un abrazo...
Uñungue!

* A tradução para castelhano se deve ao professor e brasilianista Rubén Valenzuela, de Veracruz, Mexico.
** Os livros "Asas Queimadas" e "Algolagnia" foram ilustrados pelo artista plástico e arquiteto João Carlos Bento.

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Baile de debutantes
(In ALGOLAGNIA - Histórias reais e Imaginárias,
Econ Editorial, 1984)

Yo no esperaba que ella aceptase la imposición de la familia. Me quedé furiosa, cuando Maroca me dijo que la vió de maletas listas en la estación de autobuses. Eso es algo que no se hace. !Ni se despidió! Entré en casa y salí en el mismo segundo. Tiempo para prevenir a mi madre. Iría a traerla para dentro de casa. Ya había hecho esto antes. Y no desistiría de esta vez, dije para mí misma. Quisiese o no el padre. Perderla, nunca. Mi amiga, al final. No convencería a mi padre de aceptarla, diciendo simplemente lo que ella había hecho por mí. !Diciendo que la amaba, peor!

Había alguien por atrás de todo. Muy bien planeado. Si no se hubiese ponchado la llanta del carro, ella habría sido llevada por la tía para Brasilia y sometida a un tratamiento. Me puse a conjeturar. No había nadie aparentemente capaz de armar aquella cilada. Me acordé que Tiquiña me había hablado de las conversas del cobertizo que la madre de ella había tenido con Ivete. Muchacha fingida. No sé por qué la madre de ella se enojó conmigo. Dejé también de endulzar la boca de ella con regalitos. Yo no trataba a la tipa con besos y dulces para que ella regase a los cuatro vientos que su hija estaba de amiga conmigo, cuando no decía que la hija había sido seducida por una puta barata. ?Imagina quién era la puta a la que ella se refería en sus discursos difamatorios? Yo. Justo ella que mató el marido con cuernos. Tan avergonzado andaba don Helio que se dió un tiro en el oído y murió en el mismo segundo. Joven y hermoso. !Qué escena más triste! Sangre por todos lados, manchando los sacos de trigo apilados en el almacén. Ella debería preocuparse con la otra hija. Aquella, sí. Toda la ciudad ya la vió en las calles oscuras del Barrio de la Estación, bien agarrada y tocándose con un ranchero. Al final, yo misma la vi salir del mato con el hijo del Dr. Américo. Allá cerca de la presa del Gato Prieto. En la fiesta del Buen Jesús estaba a los besos y festejso con José hijo. Se agarraba con cualquier tipo. Ya se había entrometido hasta conmigo. !Mujercita metiche! Salió a la mamá. Hija de piraña, es pez. Hasta Banzé, payaso del Circo Bartholo, fue visto en intimidades con ella. No salía del pabellón. A los agrados con los hermanos de él. Vivía para arriba y para abajo con los hijos de Ruy no carro del novio. El circo se fue. Ella desapareció. Hubo hasta quien dijese que ella había acompañado el circo. Otros inventaron un aborto que ella habría ido a hacer en Juan Pessoa.

Por causa de ella estoy en esta dificultad. ?Tengo la culpa si yo le gusto a Eliane ? Desde el baile de debutantes de 73. Tan nerviosa, en aquella noche. Ella se aproximó e indagó si estaba sintiéndome mal. No conseguí contenerme. El llanto corrió fácil y harto. !Suerte! Nunca fui con eso de pintar la cara. Dos antidistónicos para relajar. ?Piensa que ser lo que soy y ejercer la profesión que ejerzo no exige coraje y sangre fría? !Cómo exige! Estoy siempre enfrentando a las personas que hablan mal de mí. Cámara en la mano, cabeza levantada y una sonrisa en la boca. Enfrento sin bajar los ojos a todos los que me llaman de tortillera. !Terroritas sexuales! Transforman la vida de las personas en asunto de la sociedad. !Cada cosa absurda que yo escucho que da risa! !Cada nombre sin sentido! Una que otra vez, un segundo de locura. Me quedo loca de ganas de ser todo lo que dicen que soy. No hago ni un quinto d elo que hablan... !Salir por ahí seduciendo mozas! No daría cierto. Dejar de ser tonta. Ser una Joana Brito y acabar en la miseria en el Hospital Siquiátrico de Tamarineira, en Juan Pessoa. Si hablan mal de mí, a Dios entrego - le cabe la obligación de la justicia. No levanto un dedo contra mis agresores. Acostumbrada...

!Ni me gusta acordarme! La voz de la tía de ella aún me hiere el oído con su histerismo agudo. Dije groserías, a la amasia. No arranqué los cabellos de ella con jalones por piedad o respeto. Con edad para ser mi madre. A los gritos, hizo a todo el mundo volverse para mí. Me sentí como quien acabara de acuchillar un padre, atentando contra Dios y los hombres. Sólo no quería que se llevasen a Eliane. Pobrecita, una paloma sin odio. No ofende ni el bocado que come. Si resolviese, saldría por ahí, durmiendo con los machos de la ciudad. Dormiría hasta con los engrasadores de zapatos y mecánicos del taller de don Bento Xavier. Forma de probar que soy mucho más mujer que la esposa de don Domingo, el dueño de la tienda de material de construcción, que puso dentro de casa a Elenilta y anda del brazo con ella por las calzadas y hasta danza de rostro juntito en los bailes del Marizópolis Tenis Club. En el baile del 73, cuando e Eliane debutó, ella estaba allá, en carne y hueso, a los agrados con la muchachita y el marido se llenando de cuba libre. Hay quien diga que él no sale del baño de los hombres cuando bebe. Creo que es despecho. Marido bueno, él es. Con un hombre como él, hasta yo me casaría. Tonterías mías hacer del cuerpo mi instrumento de tortura si ha sido mi fuente de placer, aceptando casar con cualquiera. Estoy sin deseos de dar satisfacción para los otros. Nadie se ofrece para pagar mis cuentas, mas para dar consejos en mi vida privada, que se volvió asunto público, aparece uno atrás del otro. !Jódanse todos! Tiempo sosegado aquel en que enamoré con Raymundo Alves. !Tonta! ?Tenía que acabar todo? Él debe odiarme. Quiso hasta extrangularme. ?Lo iba a negar? No soy mentirosa. Tomé la espingarda de él. Miedo de llevar unos tiros. Hombre ninguno acepta haber sido cambiado por una mujer. No aguantaba más besarlo, pensando en Cleide.

Zelia, Leocadia, Joselia, Gildete, Chiquitinha, Cleide, Fátima, Eliane....y ahora Lucía. Se fueron metiendo en mi vida, mudándola, llegando y partiendo. Venía una mujer y me destrozaba el alma, otra juntaba los pedazos...Así las mujeres fueron tejiendo mi historia.

?Casar? Dios me libre y guarde de esta maldición llamada marido. ?Loca, yo? No tengo modos para eso. Ni modos ni instrumentos. Mi familia está ahí, para probar lo que afirmo. Marido no sirve para nada. No tendría la paciencia de mi hermana Zulmira (con aquel marido borracho y pedorrón), ni la frieza de mi hermana María (con un extranjero puerco y avaro que no da nada para ella. Ni sexo, obligación de todo marido. Ella tiene que arreglárselas por ahí) y mucho menos la locura de mi hermana Mimira (casada con un afeminado, marica con todos los cuernos de la especie, que ni respeto tiene por la desgraciada, llegando al disparate de ponerla a dormir en una hamaca en la sala con Carolina y acostarse en la cama de ellos con los amigos íntimos de él). Si fuese como mi hermano Ita, bien que yo querría tener un marido. Paciente. No sé, aquella mujercita de él...Decidida y agresiva, como hombre. Dando órdenes y contra órdenes. Tiene un modo que no me engaña. Mira, cuando ponga la vista en alguien, hago rayosX, no escapa nada. Parece que a ella no le gusta mucho ser mujer, al vestirse como un muchacho. Camisa de hombre, pantalones largos... Y tiene un toque extraño en la mirada que denuncia alguna cosa con la cual ella se debate en el fondo más profundo de ella. Por eso es tan tolerante con las levezas de él.

!Y pensar en todo lo que yo hice por ella! Perderla por causa de Ivete. Una tipa metiche la María Bonita. Usa hasta revólver en la cintura, como ladrón o maleante de retraguardia. Quiere ser hombre. Hombre, no; más para macho de la prehistoria. Sólo para mí no tuvo coraje de repetir la amenaza. Vi la hora de ella darme un tiro. También, más sin juicio e ingrata, es Eliane. Mereció los golpes que acerté en el rostro de ella.!Qué cara tan bonita tiene ella! Ojitos de niña sin padre, de niña pediche...Muero aún, de amores por ella. Tan cariñosa y atenciosa. Me acuerdo siempre de aquel baile de debutantes. Temblaba al fotografarla. El novio de ella ahí, a su lado, sin siquiera imaginar que había nacido entre nosotras dos una pasión loca y perdida. El mismo sentimiento que me llevó a traerla en aquel día para dentro de casa. Y me hace odiarla. Ni Lucía, con todo su esfuerzo me hace olvidarla. Lucía no hace caso se la ayudo. Tan necesitada últimamente. Ella sabe de eso. Quiere regresar a mí, mas no conviene. Yo hice que Lucía abandonase a Antonia y viniese en mi compañía. Ella no perdonaría, si la dejase por quien me dejó.

* A tradução para castelhano se deve ao professor e brasilianista Rubén Valenzuela, de Veracruz, Mexico.
** Os livros "Asas Queimadas" e "Algolagnia" foram ilustrados pelo artista plástico e arquiteto João Carlos Bento.

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Os circos não eram iguais
(In O Íntimo Ofício - Memórias,
Ed. Scortecci, 2007)

Com saudade, recordo-me de um dia em especial, quando desembarcou, com sua trupe de cantores hispano-americanos, El Gran Circo de México, pois foi naquela época que os boleros, mambos, rumbas e outras canções com ritmos bem marcados, invadiram a minha alma de feição ibérica.

Normalmente, quando chegava um novo circo no povoado, eu passava o dia no pátio de vaquejadas a assistir à montagem do pavilhão. Só passava em casa na hora das refeições e voltava na hora de dormir, o que fazia bastante contrariado ou arrastado por uma serviçal do hotel, que a mando de minha mãe ia me buscar.

Diga-se de passagem, uma tarefa inglória, pois eu entrava com ela pela porta da frente e, minutos depois, fugia pela porta dos fundos. Mal eu acabava de cear, corria para a bilheteria do circo com alguns trocados na mão para comprar o meu ingresso para as gerais.

Era sempre um dos primeiros a chegar, porque queria garantir o plano mais elevado da arquibancada, pois era vital conseguir o melhor lugar naquela série de assentos dispostos à maneira de uma escada que chamávamos de poleiros, onde sentávamos os arquibaldos, como eram apelidados os assistentes da arquibancada ou freqüentadores da geral, que pagavam pelo ingresso o preço mais baixo.

O circo influenciava sobremaneira a minha rotina. De modo que, de dia brincava de circo e à noite ia ao circo. E quando os artistas faziam refeições no hotel, era cair a sopa no mel porque eu não perdia um espetáculo sequer, uma vez que esse detalhe assegurava um benefício supremo. Afinal podia entrar de graça todas as noites e sentar próximo da tribuna de honra que era destinada às autoridades locais.

Mesmo depois que os circos se despediam do povoado, os deuses do circo ficavam em torno de mim e minha alma permanecia impregnada de circo por muito tempo. Por muitos dias seguidos brincava de trapezista, equilibrista, acrobata ou de inflamado cantor de boleros.

Meus circos de brinquedo eram improvisados com as roupas dos varais espalhados pelo quintal, para desespero da lavadeira. E na falta de lençóis estendidos nos arames sobrava-me o velho mofumbal.

Meu irmão caçula apenas me ajudava a montar alguma coisa se eu lhe pedia, pois não tinha a menor aptidão para a arte do picadeiro, digo isso por conhecer de perto sua absoluta falta de talento para a dramaturgia em geral.

Eu, ao contrário, era um elenco: dançava, pendurava-me, repetia as piadas gastas e sem graças das quais ninguém ria e cantava com minha voz suave de rouxinol do brejo em tempo de seca, como dizia dona Mimosa, os sucessos da temporada, entre os quais uma canção chamada La Malagueña.

Essa canção eu cantava, a imitar o timbre e a interpretação de Joselito, um menino cantor e ator de origem espanhola que fez muito sucesso no cinema, principalmente com uma película originalmente intitulada “Aventuras de Joselito y Pulgarcito”, rodada no México.

zafeitosa.blogspot.com.br (+O Íntimo Ofício)

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Salmo 7
(Na aflição, roga ao anjo que se apresse em livrá-lo da saudade)
(In Borboleta em Cinza – Salmos Profanos,
Ed. Scortecci, 2007)

1Sinto que esse silêncio anuncia o ocaso do amor, e não consigo calar meu soluço, tendo na alma cada dia essa tristeza.

2Minha alma, que suspira por ti, recusa o abandono; abriguei-me à sombra do teu amor; e não há a quem deseje além de ti.

3Minha mão estendida não alcança tua ternura; por isso de noite lembro-me dos teus carinhos; em ti se refugiou meu amor.

4Meu corpo estremece, se nos lábios tomo teu nome; causa desse padecimento é tua ausência, que faz murchar meu coração.

5Meus ouvidos necessitam da brandura das tuas palavras para abrandar os anseios do corpo, que padece longe das carícias.

6Meus olhos esperam em ti, que enches de alegria meu coração; tu és aquele em quem está o desejo que em mim se precipita.

zfeitosa.blogspot.com.br ( + Borboleta em Cinza)

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O maracá e o arrasta-pé
(In Da Canga ao Cangaço: Dias de Serra e Sertão,
Ed. TAL, 2012)

A pensar no contratempo que estragou o dia, com o corpo ensaboado, Elvino esfregou os calcanhares na pedra. De cócoras, com uma cuia escurecida pelo uso, livrou-se da espuma e depois mergulhou nas águas mansas da acanhada barragem. Reanimado pelo banho, foi ter na modesta cozinha da casa, vestindo um calção de sarja azul, descorado pelo uso. Comeu o pirão de leite com maxixe em silêncio e, nesse entretempo, a mãe comentou o desejo de arrendar outra parte das terras, haja vista a intenção do genro que era de se mudar para Monte Haurido. Sem pressa, como era usual, limpou os dentes, com rapa de juá. Trocado o calção pela cueca de morim, vestiu uma roupa de linho, limpa e engomada. Espargiu água-de-cheiro na barba recém-afeitada e na parte posterior do pescoço. Ao deixar a casa, pediu a bênção da mãe, como era hábito, e avisou de que era plano voltar depois que o galo cantasse.

O modorrento crepúsculo, que ensombrava o roçado de subsistência que a mãe, com a ajuda de Marcelino e Balduíno, tocava na parte mais plana do terreno, a oeste da casa, o encontrou nas botinas lustradas, pronto para vadiar. A esmagar as sarças, que se enredavam pela vereda, foi aparelhar o cavalo. A caminho do cercado apequenado, escutou, além das próprias pisadas, os grasnados agourentos dum caburé desgarrado, um crocito tão rouco que arrepiou o cabelo. Ao se juntarem na cabeça a lembrança do maracá da cascavel com o lutuoso piado, ocorreu-lhe a ideia de mau agouro. Com o credo na boca, benzeu-se três vezes e forçou o sentido noutra coisa, mas o pensamento parecia agir ao revés do desejo.

Chegou ao samba à boquinha da noite, quando o concertista debulhava com a mão calejada os pequenos botões do teclado do instrumento, e no compasso dum xote, a menear a cabeça seguia o movimento do pregueado do velho fole da concertina de oito baixos, que distendia e comprimia com mestria. O ritmista tocava um pandeiro, batendo no couro com gestos afetados e certas momices. Presumido, brandia as soalhas, sacudindo-as no ar dum modo cadenciado e triunfal. Sobrepondo-se ao arrastado dos chinelos, ouvia-se o estalo seco das alpercatas de rabichos, que batiam contra os calcanhares endurecidos dos dançadores, seguindo na forma de contraponto o compasso binário da melodia.

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Prefácios & Posfácios

Mulher Macho sim, senhor!
Cortez Editora, 1980

Asas Queimadas
Ed. Autor, 1981

Algolagnia: Histórias Reais e Imaginárias
Econ Editorial, 1984

O Íntimo Ofício Memórias
Ed. Scortecci, 2007

Borboleta em Cinza Salmos profanos
Ed. Scortecci, 2008

Da Canga ao Cangaço Dias de Serra e Sertão
Ed. TAL, 2012

PREFACIO (MUJER-MACHO: si, senhor!)

En ciertos casos lo mejor es ser huérfano, dice Z.A. Feitosa, viniendo de Paraíba, donde el sol del Noreste arde como fuego y se extiende por las manos rudas de los que intentan vivir.

Un hijo no se doma como se fuese animal de estimación. Un hijo se educa y la educación no se hace con golpes.No deben sentirse dueños de los hijos. Ellos no son propiedades de los padres, como un caballo del que se puede diponer de la forma que se desee.

Feitosa se dejó hablar como personaje de su propio libro o habló como autor situando sus recuerdos ahora, cuando el tiempo está lejos y el Noreste tal vez sea apenas un punto de referencia, donde él va en busca de su origen?

No importa.

La palabra probablemente más adecuada para explicar este libro de Z.A. Feitosa: fragmentos. Él juntó todas las cosas distribuídas en un cuarto desarreglado e hizo un acuerdo consigo mismo: ordenar de la manera más correcta posible. Nada como, de repente, juntar el tiempo para explicar circunstancias yu situaciones dolorosas, que dejaron marcas en la carne y en el espíritu.

Mujer Macho, Sí, Señor! puede ser considerado un libro autobiográfico? Puede. No obstante, Feitosa no esté preocupado con eso. Él no está ni preocupado en hacer literatura y mucho menos autobiografía. Tomó apenas las reminiscencias para revelar la vida de un tiempo difícil, vivida lejos del Sur, donde todo es más fácil, donde están todas las esperanzas, donde la vida finalmente puede acontecer. Mas no es así, Feitosa sabe.

El libro es un relato brasileño nada preocupado con las cosas literarias.

Feitosa da su información sobre las cosas de su tierra donde, al final, la vida existe en una lucha desigual. Las situaciones se suceden marcadas, todas ellas, de profunda amargura, esa cosa que queda por dentro y que el tiempo no apaga. Pero, amargura por qué? La respuesta está en el libro, subentendida, escondida, silenciosa como el deseo de ser ángel, de coronar Nuestra Señora de la Concepción, participar de la procesión de los conductores que salen del poblado vecino, el pueblo cantando el himno de San Cristóbal...Como el dolor del niño que pierde su animal de estimación.

Son esos fragmentos que hacen el libro de Z.A. Feitosa. Los recuerdos no muy antigüos. Hoy él está en São Paulo, mezclado en una multitud sin nombre, sin rostro, sin cuerpo. Tal vez ya haga parte de este nuevo paisaje como hizo parte de un paisaje que dejó atrás, dentro del tiempo amargo. Pero trae aún la palabra del Noreste, de los poblados, de los hombres rudos sin alternativa, un cierto olor de muerte que rodea todas las cosas. Se posgraduó en el área de Comunicaciones, curso pasado sentado a mi lado. Nunca fue posible tomar de él muchas informaciones. Ahora él me da este libro. Y dejó correr la palabra. Dejó correr centenas de palabras. Exactamente él que nunca habló.

Álvaro Alves de Faria
Septiembre de 1980

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ALGUNAS CONSIDERACIONES (MUJER-MACHO: si, senhor!)

El libro, narrado en primera persona, y talvez por eso mismo, tiene una fuerte connotación de memorial. Es como se el personaje central, por un flujo de conciencia, trajese para el presente un pasado distante, pero enraizado, que le hubiese marcado profundamente la vida.

Devido a la grande preocupación de los detalles, de la necesidad imperiosa de comprensión del mundo vivido con riquezas de minucias, debido a la preocupación de la primera persona de transmitit su impresión más precisa de la personalidad de los personajes y de su conexto social, el libro se aproxima de la escuela realista literaria. Su lenguaje seco, árido, escaso de adjetivación, apunta en ese sentido.

Es curioso ver, en algunos trechos, el predominio de las palabras "no literarias". Son palabras que se encajarían perfectamente en una reflexión ensayística, pero que causan un tono inesperado en la forma de empleo que reciben. Trechos como estos: "sumamente tensas"; "literalmente separados"; "ultraje biológico"; recuerdan, asimismo, el tono de descripción, creando un espacio que no se sitúa perfectamente ni en el reportaje ni en la narrativa ni, tampoco, en la crónica.

Las frases, ora largas, ora cortas - dentro del mismo parágrafo - no demuestran la preocupación de un trabajo intenso en la elaboración del original primero. Se tiene la impresión de un inmediatismo en la composición. Pero, a pesar de eso, por otroa ángulo, podemos observar la feliz fusión conseguida por la unión del lenguaje infantil (del personaje central en su infancia) con el lenguaje maduro de los recuerdos del mismo personaje, ahora narrador de su vida. La mezcla conseguida, que pasa por el prisma de uno y otro tono, da una cierta vivacidad al texto que no permite que él se vuelva lineal y cansativo. En ese sentido, el descuido en la composición de las frases va a contrastarse frontalmente con el cierto ritmo de la narrativa, que presenta felices esbozos de un estilo a delinearse.

Carlos Eduardo Scaranci
São Paulo, 01 de septiembre de 1980

POESÍA MELINDROSA Y LLORONA

Antonio Callado, en un pequeño ensayo a respecto del hombre brasileño, recurre a un paisaje de Don Casmurro para cuestionar una eventual incapacidad nacional para demostraciones trágicas. Pero la descripción de Machado de Assis - "Las lágrimas, si las tiene, son enjugadas atrás de la puerta, para que las caras aparezcan limpias y serenas; los discursos son antes de alegría que de melancolía, y todo se pasa como si Aquiles no matase a Hector" - es luego deshecha, a nivel real, por el propio Callado, que invoca sus experiencias de antigüo reportero para afirmar que, de hecho, el país "está lleno de gente que no llora atrás de ninguna puerta, pero a la luz del sol"; pare él, la visión del autor de El Alienista alcanza apenas un pequeño número de brasileños, una élite.

De algun modo, el llanto - fácil, raras veces trágico - es una manifestación de sentimiento común al brasileño. Las lágrimas deslizaban en centenas de rostros por una conquista en el futbol o un ídolo de esos concebidos en departamentos de marketing de emisoras de televisión. Por el sol, que trae la sequía; por el frío que devasta con las heladas. Por Dios y por el Diablo. Se llora, por todo, en un amplio sentido. Hasta mismo por ocurrencias distantes como la escena del Papa Juan Pablo Segundo bañado en sangre, después de los disparos de la Plaza de San Pedro. Las lágrimas nacionales ignoran geografía: la caída de un avión, el incendio de un gran edificio, una dolencia que diezma adultos y niños - ni que todo acontezca más allá de Paquistán. Es así, regla general; y en particular, no es diferente. En la poesía brasileña, por ejemplo, se instaló un movimiento en la primera mitad del siglo pasado con evidentes señales - digamos -lagrimales. El romanticismo, sin duda, fue marcado por el rompimiento con la escuela inmediatamente anterior - el clasicismo -, utilizando recursos de lenguaje menos rebuscados y más populares. La creación de un mundo irreal, a partir del individualismo y del subjetivismo de los poetas románticos, indicó, al mismo tiempo, una profunda insatisfacción - de resto, expresada bajo varios ángulos y temáticas. Mismo las características del romanticismo portugués, surgido poco antes, no son totalmente idénticas las del romanticismo brasileño. En fin, lo que interesa, sobretodo, es la postura de nuestros poetas románticos, notadamente aquellos de la llamada segunda generación, delante del amor. Manuel Bandeira observa una "cierta dulzura melindrosa y llorona, bien brasileña mejor dicho, y tan indiscretamente sensible en el lirismo amoroso de los románticos", en su obra Presentación de la Poesía Brasileña. En este caso, el amor es exhaltado y sobrepuesto a los demás sentimientos, en base de una idealización y un énfasis lírico atados a aspectos personales. De ahí, la excesiva preocupación con el "Yo", en una sucesión de los posesivos de primera persona. La mujer romántica, pura e inalcanzable, ni siquiera es encontrada en los brazos de nuestros poetas románticos, excepto Castro Alves. No hay, como notó Bandeira, un concepción realista de la relación entre los sexos. Alvares de Azevedo, el formidable autor de Lira de los Veinte Años, prefirió, entre otros escapismos, mirar a su amada durante el sueño, como en este trecho:

No te levantes tan temprano! en cuanto duermes
Yo puedo darte besos en secreto...
Pero cuando en tus ojos raya la vida,
no oso mirarte...yo tengo miedo!

El miedo, mejor dicho, fue común. Miedo, en la dimensión dada por Mario de Andrade, esto es - como realización sexual. En verdad sólamente Castro Alves, entre los románticos, traspasó la experiencia erótica imaginaria y alcanzó la plenitud sentimental y carnal. La mujer romántica en Castro Alves pierde, definitivamente su aurea inmaculada. Como en estos bellos versos:

Ah! fuera bello unidos en segredos,
Juntos, bien juntos...temblando de miedo,
De quien entra en el cielo,
Deshacer tus cabellos delirante,
Besar tu regazo!...Oh! vamos, mi amante,
Á breme el seno tuyo.
Yo quiero tu mirada de aureos fulgores,
Ver desmayar en la fiebre de los amores,
Clavados...clavados en mí.
Yo quiero ver tu pecho entumecido
al soplo de la voluptuosidad jadear seguido...
...Ven! Seré tu poeta, tu amante...
Vamos a soñar en el lecho delirante

En el templo de la pasión.

Ese cuadro sirve, de todo modo, para facilitar algunas hipótesis a ser levantadas a propósito de este libro de poesías de Z. A. Feitosa, que representa su estreno en el género. Impresionan, sobre todo, las innumerables connotaciones de la obra con la poesóa producida a lo largo del periodo romántico brasileño, principalmente la llamada segunda generación.

Z.A. Feitosa, como ejemplo de los románticos, elige una musa intocable, angelical, que él llama de "mi ángel". Su mujer romántica posee "cuerpo adolescente y aire infantil", a punto de, en los devaneos lírios, ser imaginada flutuando en sus "guantes de luna". Es la amada distante, en lugar incierto tanto cuanto los reales sentimientos de ella con relación a él. Entre lamentos y alabanzas, el poeta construye un pedestal en que eleva a su musa, asumiendo, ahí, una postura igual a la de los trovadores mendievales en sus cantigas de amor. Eso, no entanto, está apenas implícito en la obra - por lo, inalcanzable, al contrario, por ejemplo, del poeta portugués de la tercera generación romántica, Juan de Dios, para quien la mujer amada era una "reina". Como en el poema "Encanto":

Pasabas como reina
Y yo, andaba como muerto,
Parece que me sostenía
En el aire en éxtasis, absorto
Es ella, decía yo,
Mi estrella del cielo!

La actitud de sujeción a los pies (dígase, distantes) de la amada, es otro trazo común y marcante en la poesía de Z. A. Feitosa. Juan de Dios "andaba como muerto", en cuanto el poeta de "Tango Del Escapulario" vive un "extraño amor que se hace de desencuentros "y proclama inapetencia para proseguir solito" - "yo no me quedo dentro de mí", él dice. Y revela: "Yo no me amo más".

En el libro, dividido en siete partea tituladas sugestivamente - Ouverture, Marcha en reversa, Danza por Profesión, Tango Del Escapulario, Vals Sensual, Nocturne y Finale, Z.A. Feitosa derrocha otro recurso de los románticos, o sea, la apropiación de la "naturaleza muerta" como fuente de la imaginación. De esa forma, la nuna, la estrella, el cielo, el azul son repeticiones frecuentes. Un recurso, sin duda, qu proporciona, otra vez, lo inalcanzable - imágenes, fijas a lo lejos o en el infinito. Como en "Ouverture":

Hay una estrella
perdida en un cielo de invierno;
yo estoy solito.

Así, también, aparecen los fenómenos naturales en movimiento, como el viento, el relámpago, las nubes y la tempestad - casi siempre en los breves momentos de éxtasis imaginario. Y sim embargo confiese, a cierta altura, un "amor prohibido y profano", Z. A. Feitosa hace emerger de su poesía más una característica romántica fundamental, la religiosidad o una actitud sentimental mística. En variso instantes, ese aspecto está nítido. En "Marcha en reversa" hay un ejemplo, con tonalidades eróticas:

Nuestros cuerpos entrelazados
Danzan un minueto sagrado, la sagrada danza del coito.

El poeta aún desnuda un profundo sentimiento de dominio, obsesivo y carnal, algunas veces. Habla en "amor vivo y violante" y deja saber de su satisfacción si pudiese "sentir tu cuerpo contorcionándose debajo del mío". Y revela que, sin esa sensación de posesión, que insinúa el dominio total de la compañera en el acto sexual, por eso claramente machista - queda más difícil gustar de ella.

Intentaré gustarte
Siempre de esta manera,
con la certeza de que no tengo posesión...

Con respecto del sexo, como realización carnal, vale señalar aún que raras veces, en todo el libro, él aparece como hecho consumado. Apesar del inconformismo, que rasga del primero al último verso de Z.A. Feitosa, la contemplación platónica es inapartable. Él imagina, ve y quiere, pero acaba siempre perdido dentro de su propio contorcionismo - admisible mismo como una forma de búsqueda -, asistiendo la amada "aprofundando por el elevador cansado". El erotismo contenido de Z. A. Feitosa, de cualquier forma, alza vuelos considerables, como en "Vals Sensual":

...arqueas lascivamente y gimes
al peso de mi cuerpo ansioso
que se extiende sobre el tuyo,
que se entraña en este tu ser en cuerpo...

El estilo de Z. A. Feitosa, por su vez, apela para la redundancia, lo que, en verdad, muchas veces no se constituye en un abuso de lo superfluo, mas en una necesidad del poeta em reforzar una expresión, ser convincente, como ya indicó Péricles Eugênio da Silva Ramos en estudio para los "Poemas de Claudio Manuel da Costa". El poeta de "Danza por Profesión" utiliza, y bien, las aliteraciones - "...ritual pagãomente paulatino". Hay, también, la fluencia, pero ni siempre, de cierta musicalidad y la repetición insistente de algunas palabras, como mano, que impone, a nivel temático, otras consideraciones. En "Tango Del Escapulario", poema en que él amenaza un rondó, está presente una solitaria actitud de osadía, cuando Z. A. Feitosa crea onomatopeyas:

Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza
adecuado artefacto que pone a respirar
ruidosamente el quemane instrumento...

En uno de los trechos de "Marcha en reversa", el poeta demuestra que, en el fondo no se considera un romántico autenticamente:

Quiero hasta enternecerme,
parecer romántico
escribirte un poema de amor.

Entre tanto, al contrario de lo que él supone, y por lo que comprueban los 49 poemas de este libro, escencialmente del amor perdido, Z. A. Feitosa es un poeta romántico. Evidentemente, a los 100 años del fin de esa corriente literaria en Brasil como manifestación avanzada y moderna, mas, por eso mismo, sin demérito por causa de un dato únicamente cronológico. La cualidad de su obra literaria, o de arte, no depende de tiempo y escuelas. Vale por ella. Sería estimulante saber que Z. A. Feitosa proseguiría en esa línea, perfeccionando su trabajo, deshilando y por qué no?, hasta mismo desafinando su lira por una musa "de cuerpo tierno, con aroma de incienso y aliento de menta". Como, por último, ya hacían los trovadores medievales.

Marcos Barrero
Assis, agosto de 1981

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CUENTOS DE AMOR PROHIBIDO, PROHIBIDÍSSIMO ( Algolagnia - prefacio )

La introducción de Edilberto Coutinho en Erotismo en el Romance Brasileño sirve, de todo modo, para presentar el trabajo de Z.A. Feitosa aquí colocado.

"La influencia freudiana es casi siempre evidente y una de sus principales características está en la narrativa autobiográfica o semi biográfica." Se supone que el autor relate, "en medio a la trama ficcional, experiencias personales o acontecidas a sus amigos o conocidos." Técnicamente, procura hacer con que la ficción parezca verdad o al contrario, en algunos trechos, presenta la verdad como si fuese ficción. "Es una narrativa casi siempre intimista. Se empeña el autor en un trabajo de prospección sicológica y en una exploración profunda del yo, tan temido por los ficcionistas del pasado."

Los textos escogidos para esta colección, "con su toque de amor o su no sé que de sexo, con su poco amor prohibido, prohibidísimo", como señaló Gilberto Freyre, fueron, originalmente, escritos para revistas masculinas, a notar por lo que Z.A. Feitosa cuenta en dieciocho historias sobre aquello que se escribe muy poco en libros.

"Su realismo puede acaso desagradar a algunas personas que no aman la verdad sino colorida y adornada con eufemismos convencionales. Es la vida, tal como ella es; por eso mismo llama la atención y la curiosidad del lector", como bien observó João Ribeiro.

Seducción, golpes, asesinatos, triángulo amoroso, estupro, prostitución, homosexualismo, amor pecaminoso entre hermanos... La voluptuosidad del dolor y de la pasión, como sigiere la designación propuesta por Z.A. Feitosa para esta colección de circunstancias de la vida humana en que vibra la fuerza de Eros.

E.C. Brasiliense
Janeiro de 1984

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Sobre "O Íntimo Ofício"

 

Desde 1984, quando publiquei um pequeno livro de contos, que me rendeu grandes dissabores, eu perdi totalmente a vontade de escrever. Foram 20 anos sem me animar a escrever ou publicar coisa alguma. Assim, essa incumbência me preocupou enormemente por se tratar de uma tarefa para a qual não me sentia preparado.

Um dia, numa sessão espírita na Casa de Caridade Pai Joaquim de Aruanda, um orixá, naquele momento transformado no preto velho Pai Antônio de Minas, disse que eu deveria voltar a escrever e publicar um novo livro, sobre o qual apenas me foi dito que eu seria intuído pelas entidades do astral a respeito dos temas que deveria abordar.

A partir daquela noite, muito preocupado, passei a remexer os guardados, tentando encontrar entre meus rascunhos algum texto que pudesse ser publicado ou servisse como ponto de partida, mas nenhum parecia bom o bastante para ser editado. Nada do que li fez reacender a velha paixão pelo ato de escrever. E pensar que eu sonhara um dia ser escritor, freqüentei um curso de jornalismo e costumava escrever sobre as vulnerabilidades que os homens carregam em silêncio, mas o temor parecia ter me calado para sempre.

Depois de repetidas cobranças, feitas pelo Pai Antônio de Minas, dei-me conta de que voltara a ler, hábito que tinha abandonado juntamente com o ofício de escrever. Passei a sonhar com situações incomuns. Certa noite, sentado ao computador, veio-me duma fonte, que desconheço, um estímulo inspirador.

Chegara o momento de romper o silêncio ao qual o medo me condenara, sem provas nem meios suficientes para resistir à sua força. Confiar na sabedoria da intuição mediúnica foi a maneira pela qual pude resgatar a emoção de escrever sobre o mundo dos homens e seus sentimentos. Foi dessa maneira que voltei a pensar em partilhar com outros seres humanos a história das paixões que dão cor às nossas vidas.

Assim teve início o processo de liberação da vontade que esteve por muito tempo a mercê de um receio paralisante. Entendi, pois, que a proposta daquele amado Preto Velho, sábia partícula do amor infinito, era mais, a bem dizer, uma proposta de cura, uma forma de debelar aquela manifesta incapacidade que se apossara de mim. Ao dar por cumprida a primeira etapa dessa tarefa, quero expressar minha gratidão aos irmãos, em Zâmbi, daquela casa de umbanda, que comigo comungaram, sob a orientação espiritual do Senhor Coriolano, os ensinamentos do povo de Aruanda, Foi por demais inspiradora a convivência com Laura, Silvana, João, Leandro, Milton, Maicon, Sidiney, Jânio, Mitsuko, Ewerton, Devanir, Patrícia, José Carlos, Zeilton, Antônio, Vanderleia, Ricardo, Zenon, Carlos, Francisco, Darlan, Rossana, Geraldo, Edielson, Luiz e Mario.

Quero aproveitar para expressar minha grande gratidão pelos estímulos recebidos dos orixás da umbanda, que me acudiram quando tudo parecia perdido, sejam em essência como também são cultuados naquele templo (Exu, Iansã, Iemanjá, Nana, Obaluaê, Ogum, Ossaim, Oxalá, Oxossi, Oxum, Oxumaré e Xangô), ou transformados na energia de preto velho (Pai Joaquim de Aruanda, Pai Antônio de Minas e Vovô Juvenal), de criança (Terezinha de Jesus), de boiadeiro (Juventino de Deus da Silva e Padre Dagmar), de caboclo (Caboclo Cobra Coral), de cigana (Balaine de Além Mar), de exu (Tranca Rua das Almas) e de pombajira (Das Dores de Pombal). Sem a proteção e contínua ajuda de todos esse trabalho não seria possível e estas memórias estariam condenadas ao esquecimento.

Preciso, ainda, reconhecer a importância da psicóloga clínica Dora Lorch e do médico e psicanalista Arnaldo Marques Filho, que me ajudaram a entender a natureza dos meus medos e buscar a sua cura, assim como do quiropraxista Cleber Sampaio, que me ajudou na remissão de uma isquialgia, de natureza psicossomática, que me atormentou por anos seguidos.

Não posso deixar de reconhecer o apoio do publicitário Fernando de Oliveira, que desenvolveu um pré-projeto e pacientemente leu os manuscritos, assim como a generosidade do poeta maior R. Leontino Filho, pelo empréstimo do texto que transcrevi à guisa de prefácio.

Ademais, quero agradecer a Ewerton Matos, dirigente espiritual da Casa de Caridade Pai Joaquim de Aruanda, pela orientação e, por suposto, a Hiroaki Feitosa pela ajuda na idealização e elaboração do portal e a irmã de fé Mitsuko Oshiro, pelo companheirismo de tantos anos.

Antes de finalizar, quero estender meu agradecimento a todos aqueles que, por acaso ou descaso, determinaram, de certo modo, o curso de minha vida.

Obrigado muito.

Z.A. Feitosa
Outubro de 2007

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PREFÁCIO DO LIVRO "O ÍNTIMO OFÍCIO"

 

Era um menino com apenas sete anos de idade, quando Z.A. Feitosa lançou, em 1984, um livro chamado "Algolagnia", obra de estilo vigoroso, que, segundo contam, trouxe-lhe dissabores. O livro, que causou tal impacto na época, é uma simples coletânea de contos inspirados pela realidade, que foram publicados, originalmente, em revistas.

A realidade, que serve de tema para o livro, entretanto, é apenas o fundo que dá forma à escrita e verossimilhança para os personagens. Mesmo sendo pura ficção, aquele livro, como toda obra de Z.A. Feitosa, passa a impressão de que o autor está a contar histórias reais. Assim, não foi por acaso que alguns leitores sentiram tanta identificação com os personagens.

“ Lemos um romance de Machado de Assis, sabendo que 'qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência', mas não podemos deixar de nos reconhecer na miséria e na grandeza daqueles personagens. É como se, por determinados instantes, Machado de Assis, que sequer nos conheceu nem ao nosso século, nos conhecesse melhor do que nós mesmos", como nos lembra Gustavo Bernardo.

Sabe-se que o autor, por conta dos constrangimentos sofridos e ameaças recebidas, de uma hora para outra, relegou os seus livros ao esquecimento. Fechado em si mesmo, se tornou apenas mais uma presa do temor, à semelhança daqueles que, na década de 70, foram silenciados pela repressão.

Nada disso, contudo, desmerece a obra nem tampouco seu autor, apenas deixa patente que as circunstâncias da vida, de forma misteriosa, fazem vir à tona a fragilidade dos fortes ou a fortaleza dos fracos. Passado o susto, a ordem é seguir adiante. Afinal, a arte de escrever, como o próprio existir humano, nunca foi considerada uma experiência inocente ou desprovida de riscos.

O verdadeiro desafio do escritor é criar uma nova perspectiva para o que chamamos de realidade, assim como realimentar sua escrita com o que deriva deste exercício artístico. Sei que Z.A. Feitosa é apenas um ser humano, portanto, não espero gestos heróicos, mas desejo que volte, pelo menos, a questionar a visão que temos de nós mesmos e das coisas e, se possível, ouse extrapolar os limites impostos pela realidade.

Segundo o escritor português Álvaro Cunhal, tão injuriado em vida por um feixe de adversários ideológicos, "a arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano. Constitui, portanto, um direito à liberdade que um escritor escreva sobre tudo. Não se pode admitir intolerância no campo da estética. Somente de posse da liberdade, a arte reflete sua dívida para com os ideais da emancipação, que dão ao homem a sua condição de sujeito livre para designar o seu próprio destino".

A publicação deste livro, após 23 anos de silêncio, pode significar que, mesmo aprisionado pelo medo, Z.A. Feitosa manteve as plumas de vário matiz. "O Íntimo Ofício" faz-me acreditar, parafraseando Paulo Sérgio Sarralheiro, que é mesmo possível ao homem reinventar-se, recriando a lenda da fênix de colorida plumagem a renascer do cinza.

Z.A. Feitosa, valendo-se de um saber quase universal, traz a público a comovente história de um rapazinho, que é, ao mesmo tempo, personagem e narrador de passagens de sua vida, que se pretendem memórias. Esse homenzinho chamado Bita, que nasceu num povoado paraibano, como os meninos do seu tempo, vivia atormentado pelo pecado na infância e assediado pelos prazeres sensuais nos anos de adolescência.

Bita, cujas evocações tocam, profundamente, o coração do leitor, parece dotado de incomum autoconsciência, ao narrar, com relativa crueza, os aspectos mais íntimos da sua vida, enquanto menino, que precisou conhecer de perto a maldade do homem para descobrir o significado do amor, que transcende a questão de gênero. Alias, este aspecto se cumpre na obra sem a presença de agressão barata ou romantismo piegas.

Neste livro, como de costume, o erotismo está presente, mas não chega a ser a figura central da obra, apenas pontua alguns trechos do livro. Aparece como uma espécie de ingrediente, que serve tão somente para realçar o sabor duma iguaria. O autor faz uso de um erotismo descansado do desejo de ser vulgar, que empresta ao texto um sabor exótico, algo entre mucunzá com carne de sol e papa de xerém com galinha de capoeira.

Ao expor, por meio de sua narrativa humana e sincera, a complexidade da vida desse hominho, com tudo o que ela tem de mais estranho e incompreensível, Z.A. Feitosa transforma palavras em conforto para alma, ao tempo em que denota respeito pela condição única de todo indivíduo. Por isso, atrevo-me a dizer que "O Íntimo Ofício" é uma leitura indispensável para todas as pessoas e grupos, com identidades diversas ou não.

Imbuído do ideal libertário de Álvaro Cunhal, desejo que o escritor Z.A. Feitosa retome para sempre os ousados caminhos da literatura, em que pese a realidade coercitiva que nos cerca. Por Zâmbi, jamais perca, meu velho, a necessidade e o gosto de escrever.

Continue a ser o interprete fiel desses sentimentos e pensamentos canhestros, que povoam a mente de todos nós. Viva para semear perguntas sem respostas, seja na prosa ou nos versos, porque sua obra tem muito a ensinar, sobretudo, quando aborda de forma, que julgo exemplar, os temas mais inóspitos.

Tibério Feitosa
28 de junho de 2007

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Os cânticos profanos de “Borboleta em Cinza”

 

A poética do amor que flagela e revigora, nos versos com forte acento sensual de Z.A. Feitosa.

Ainda que pese a expressão usada pelo poeta para designar a poesia de Borboleta em Cinza, pela preferência por assuntos ligados ao amor erótico, os poemas do livro têm pouco em comum com a lírica ou a temática das composições poéticas que relatam o diálogo do homem com um deus.

Sem pretender que existam intenções que se ocultam, o autor elegeu um ser espiritual como causa ativa desse amor que é gemido ou, até mesmo, soluçado em versos de estranha poética, cuja plasticidade das metáforas figura-se, às vezes, desconcertante nas páginas de Borboleta em Cinza.

Há originalidade na forma como Z.A. Feitosa reinventou a beleza dos cânticos, que prestam o culto a um deus, para narrar os sentimentos nascidos da intimidade com um ser angélico, nutrindo-se, principalmente, das características extravagantes e instintivas desses poemas místicos; e concentrando-se, todavia, no lirismo amoroso para criar os poemas que nomeou salmos profanos.

O amor na expressão do erotismo particular de Z.A. Feitosa tem certa religiosidade, o que pode revelar uma estranha crença no amor que flagela e revigora. A submissão do ser ao anjo, que impõe sua vontade, transforma o amor, de que fala o poeta, numa experiência mística. O autor de Borboleta em Cinza, que buscou nos salmos inspiração para sua poesia, parece ter mergulhado nas profundezas dos textos canônicos à procura do poder redentor do amor.

Z.A. Feitosa abusou, intencionalmente, da presença de certas expressões e do tom clamoroso dos salmos, assim como das formas poéticas que lhes são comuns, usando com acerto o manar do pensamento e das palavras de caráter canônico para construir poemas intensos, através dos quais o poeta relata as vivências de caráter erótico, experienciadas por um ser humano na presença desse anjo, que é uma espécie de fonte de prazer e dor.

O amor na poesia romântica de Borboleta em Cinza, porém, não é tratado como mera idealização, estando envolto numa densa aura de natureza erótica, que dá a totalidade de sua obra. Assume, portanto, um ar de consumação. É como se o poeta transformasse em experimento poético as experiências amorosas ou as próprias obsessões românticas, que marcaram sua vida.

Ao tratar como situações místicas o amor silencioso, que os corações gestam no aconchego da solidão, Z.A. Feitosa acabou por cunhar belos poemas. Não só pelo adequado emprego de técnicas poéticas, mas por ter sido capaz de plasmar, poeticamente, o sentimento de tristeza que veste com seus entardeceres a alma do ser humano que se descobre apaixonado por um anjo.

Assim, não é por acaso que a poesia de Borboleta em Cinza ajuda a perceber porque o amor, quando é tão diverso, como esse amor de que fala o poeta, de modo geral, toca a incompreensão, sobretudo, se atrevidamente deixa o escondedouro de um coração e se converte em experiência na luz fria da manhã.

É , no mínimo, destemido o uso que o autor faz de sua inspiração e ninguém pode negar a força de sua imaginação, convertida em criatividade, a qual sobressai em todos os poemas do livro. Aliás, imaginação criadora é o diferencial da obra de Z.A. Feitosa, um escritor dotado da rara capacidade de criar textos, agradáveis aos sentidos, mediante a combinação de palavras comuns e idéias sabidas de todos.

Pode-se afirmar que Z.A. Feitosa criou, em Borboleta em Cinza, uma poesia de raro erotismo, que toca profundamente quem lê. E, embora alguns poemas pareçam licenciosos, é indiscutível a beleza que o leitor saboreia ao se apossar dos sentimentos que transbordam em cada um dos poemas.

É o fato de Z.A. Feitosa celebrar sem vergonha o amor erótico, assim como a linguagem e o vocabulário emprestados dos cânticos místicos, que torna deveras interessante a lírica embriagante dos salmos profanos, que compõem seu novo livro, publicado com o apoio cultural da Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA.

Por fim, desejamos, ao dar boas-vindas para os salmos profanos de Borboleta em Cinza, que a leitura destes poemas motive as pessoas a, dentro da multiplicidade de experiências que o amor oferece ao ser humano, expressarem seus afetos mais verdadeiros.

L.D.Freire e Z.A. Feitosa

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A imponderável sombra do anjo

 

“ Os deuses são tiranos. Roubam os sonhos que nos dão e expõem nossas cicatrizes ao sol.” (Orismar Rodrigues)

O prazer: dentro da gente se faz e refaz. Na clara linguagem do corpo inunda de silêncio o intervalo amoroso da espera. Já prisioneiro do tempo, o homem pergunta sobre a lonjura da solidão, essa mão ligeira que embriaga os espaços do coração. À flor da alma, em cinza, renasce.

A promessa: dentro da gente vira e revira os abraços. No transparente suspiro do corpo sussurra palavras de submersos sabores. Já amarrotado por ilusões, o homem indaga sobre o miolo da angústia, essa prece gratuita que voa rente às ranhuras do abismo. À flora da alma, borboleta cintila.

O desejo: dentro da gente, há sempre um deus na forma disforme do amor. Na apressada voragem das paixões, o corpo irradia desconcertos. Já orvalhado pela ternura, o ser ajeita as questões do estradar, essa longevidade que norteia as adjacências do querer. À luz da alma, imensurável, soluça.

A paciência: dentro da gente, há sempre uma morada de signos na escancarada delícia do sonho. Já ensimesmado pela crença, o ser sobrevive aos despojos de outras línguas. O corpo desata palavras, alarga fantasias, refunda manhãs, reconhece entardeceres, navega noites. Ao som de salmos profanos, dança sem pudores.

Com a vestimenta corrosiva do prazer, imerso na paciência legítima do cântico, aninhado na promessa excitante do gozo e banhado pela ardência do desejo, Zeilton Alves Feitosa compôs uma obra transfundida em beleza, onde a espontaneidade, a persistência e a perspicácia do ofício poético têm o lastro do real sentido do existir: o encontro consigo mesmo. A poesia que emana de Borboleta em Cinza – Salmos Profanos – é comoção de vida, passaporte para bem-aventuranças, porta de entrada para celebrar a totalidade do amor, este reino onde o desperdício das horas é a quintessência de todas as ocupações.

Com a perplexidade profética da alma e o corpo impregnado de urgência, o poeta não se esquiva à viagem vertical do destino. Entoa seus cantos ao compasso da lucidez que a soletração do delírio permite. Cumpre a floração da graça madurando as acontecências do desespero. A morada do corpo é também a perdição da alma. A véspera da alma, do mesmo modo, é o lampejo salvador do corpo. Borboleta em Cinza – Salmos Profanos – pela corola dos vôos, salienta o oceânico fascínio da poesia que reinventa novas ambiências para o anjo.

O anjo é a matéria inaugural de todos os salmos profanados com lapidar acerto. Z.A. Feitosa, poeta de transcendente visão, irradia um feito bastante singular: traduz as amabilidades humanas, à revelia, das convenções. O requinte verbal dos salmos por cujas engrenagens o anjo sangra, viabiliza a potência tentadora da paixão, nem mais nem menos. Sem surpresas e sobressaltos, o poeta ocupa os aposentos da casa desentulhando-a das obviedades. Sem inibições ou culpas, ele segue seu périplo, mirando unicamente o angélico personagem ao longo de três estações e quarenta e oito degraus da mais expressional poesia.

Em Borboleta em Cinza – Salmos Profanos, Z.A. Feitosa instala, sem as peias do kitsch, o arroubo iconoclástico das tentações. Os quarenta e oito salmos entretecendo o lirismo dos amantes, na medida em que o emissário nômade da poesia adere à forma dramática do cantar, desdobram a força evocativa do mítico com um arrojo imagético suave e selvagem a um só tempo. Sim, os cantares de Z.A. Feitosa estão povoados pela urdidura do anjo. O mesmo prenúncio que acompanhou Rainer Maria Rilke, quando, buscando entender a condição humana, proferiu nas Elegias de Duíno que: “Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de mim, eu vos invoco,/pássaros quase mortais da alma, sabendo quem sois”, incendeia vertiginosamente o eterno vir-a-ser desta ceia profana e poética ofertada por Z.A. Feitosa. O salmo 38 – Meditação sobre a visita do anjo amado – é a reiteração inteiriça do canto que confabula com o sublime. Nele, o poeta nomeia o epicentro do júbilo erótico-amoroso quando dispara: “Borboleta em cinza fez-se a alma”, aqui, continente e conteúdo regam, peremptoriamente, os pormenores cotidianos do poema-livro transfigurado e transfigurador de Z.A. Feitosa.

Longe dos olhos, a transitoriedade do querer se espreguiça no limiar levíssimo do leito. E o anjo se materializa. Hóspede dos remansos, o Anjo uma vez terrível sempre terrível, nem por isso menos desejado. Sabedor disso, o poeta sussurra: “Ó anjo meu, quão tristes são os olhos em/cujas sombras a noite tece a escuridão!”. Z.A. Feitosa crava no peito do anjo a chama erótica do encanto. Da admirável unidade de Borboleta em Cinza – Salmos Profanos, com suas petições, aflições, manifestações, exaltações, louvações, súplicas, orações e seus louvores amalgamados à descoberta súbita do outro, a poesia toma pela mão os contrastes que se localizam na mística do amor. Pagão e transcendental, o brado amoroso do anjo vai além de cada personagem.

O sentido da vida, em seus atônitos contrastes, assevera que bravuras e covardias, grandeza e mesquinhez, esperanças e revoltas, amores e ódios, conflitos e perplexidades regressam em forma de dramas e hesitações, dúvidas e desesperos à cidadela do poeta transfigurado em anjo – algoz e libertador – de devaneios, quimeras, delírios, entressonhos e fantasias tão presentes em Borboleta em Cinza – Salmos Profanos, este nascedouro das experiências-limite que alforriam os amantes. Ainda mais, quando uma sombra flana no limite do imponderável.

R. Leontino Filho - poeta e ensaísta

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As memórias romanceadas dum sertanejo

 

Com desvelado afeto, Z.A. Feitosa conta nas 160 páginas, que compõem “Da canga ao cangaço: dias de serra e sertão”, a história da juventude de um herói muito particular, inspirando-se na vida de seu pai, Etelvino A. Feitosa, que completaria 100 anos de nascimento, oficialmente em 2008, ano em que o autor concluiu a escritura desta obra.

Etelvino, que não recebeu em vida nenhuma insígnia honorífica, digna de nota, por sua vontade de luta, nem virou nome de praça ou placa de rua, se tornou um destemido soldado das forças armadas, depois de passar anos da mocidade a serviço da violência do cangaço que reinava no semiárido cearense, vivendo em fuga e dormindo no mato para escapar das balas da polícia.

O livro trata da pequena saga desse sertanejo que no verdor dos anos, por força duma sina adversa, trocou o trabalho na lavoura canavieira, nos idos da década de 20, pelas armas e riscos do cangaço. Ao que parece, o destino de Etelvino firmou à revelia um pacto de sangue com a violência das armas, pois para escapar das perseguições aos cangaceiros, deflagradas pelas forças volantes, o protagonista viu-se obrigado a sentar praça no exército.

Assim, por força das circunstâncias, foi que depois de anos de dedicação à crueldade do cangaço, do qual foi refém, encontrou na infantaria do exército a perfeita identidade para os desejos da alma, lutando nas revoluções de 1930 e 1932, defendendo, com bravura, nas forças armadas, ideais que desconhecia.

O protagonista da obra, a exemplo de Etelvino, também ficou pouco tempo no exército, porque foi, como muitos, dispensado do serviço militar, terminado o confronto armado em terras paulistas. Saído do quartel, voltou a ser um pacato homem do interior nordestino, mas guardou na alma o amargor do descaso e declarou, por toda a vida, a honra que sentiu ao formar fileiras no exército deste belo Brasil.

Entrelaçando fatos históricos e sobretudo memória afetiva, Z.A. Feitosa teceu uma ficção poética e regionalista, em páginas de rara beleza, que quase se pode ler de forma independente, através das quais reverenciou a figura do pai, dos cangaceiros e dos soldados, que no anonimato dos corações de seus descendentes são cultuados como heróis pelas lembranças de todos os dias.

Só compreenderá a devoção, a custo sofreada, das palavras, que narram de forma singular a história do cangaceiro que virou soldado, quem tiver sentido um dia o gosto amargoso da saudade. Decerto se deixará envolver pelas emoções, que tingem esta obra com carinhosos matizes, quem deixa o amor vicejar no coração, porque este livro fala direto ao sentimento, como toda declaração de amor filial.

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